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Jesus Cristo diante da ciência

Por: Pe. José A. do Laburu

Senhores!

Diante da História surge Jesus Cristo proclamando-se o Legado Divino, o Filho de Deus.

Diante da História surge Jesus Cristo selando suas afirmações com a autenticidade dos selos privativos e infalsificáveis de Deus: os milagres.

Se se procedesse com Jesus Cristo como geralmente se procede com os personagens que a História nos mostra, teríamos, de acordo com a ciência e a crítica escrupulosa, o conceito exato da pessoa de Jesus Cristo, como se afirma a personalidade de Cícero, Tucídides, Heródoto...

Mas não é em vão que, atualmente, em Psicologia e Psiquiatria, considera-se como ponto de vital interesse o influxo da afetividade na Lógica; o influxo da afetividade na vontade.

Nos problemas históricos comuns estão ausentes as cargas afetivas. Por isso é fácil ser lógico, sem que a vontade se desvie.

No problema de Jesus Cristo, entretanto, existem, no máximo da intensidade, grandes cargas afetivas. As fobias, repugnância afetivas à doutrina de Jesus Cristo e suas conseqüências práticas, são de tamanha violência, que chegam não só a anular e a cegar a inteligência como a abater a vontade.

Senhores, antes de entrar no tema desta conferência, uma reflexão.

Pode-se avaliar o poder de intensidade da luz de um farol quando, apesar de mergulhado na mais espessa névoa, suas cintilações são vistas de grande distância.

Densíssimas são as névoas afetivas e de preocupações apriorísticas diante das cintilações da pessoa de Jesus Cristo. As mais densas que existem na Humanidade.

Em torno dessa luz colocou-se tudo quanto de ódio e de paixão existe no mundo; mas, senhores, se apesar de toda essa cerração da inteligência, ainda se percebem cintilações de luz intensa, podemos descobrir e poder intrínseco da Luz que Jesus Cristo encerra.

Senhores, vejamos agora o que sabem sobre Jesus Cristo os que abertamente negam ser ele Filho de Deus mas que, obrigados pela Ciência, não podem deixar de admitir inegável valor histórico às fontes de seu estudo.

Vejamos que conceito formou a Ciência racionalista sabre Jesus Cristo. A Ciência... eles não admitem senão a Ciência racionalista.

Pois bem, pois bem, diante desses homens de critério único e exclusivo racionalista-materialista, como aparece a pessoa de Jesus Cristo, estudada por eles de acordo com sua técnica?

Ouçamo-los esta noite. Que eles nos digam quem é Jesus Cristo segundo a Ciência. Sua Ciência.

Vamos, por conseguinte, ver, perante a ciência racionalista pura, perante a refinada supercrítica, perante os que a priori, a priori, dizem ser impossível a existência de um homem Deus, o que opina essa mesma ciência sobre JESUS CRISTO.

Não proponham argumentos aos que defendem a priori ser impossível um homem Deus. Cegos por seus princípios, negam tudo quanto existe de divindade.

Que há testemunhos? Que são autênticos?...Negam-no a priori.

Para esses, precisamente para esses, quem é Jesus Cristo? Esta noite vamos ouvi-los.

* *

Se eu, senhores, vos submetesse, esta noite, as conclusões a que esses investigadores chegaram sobre Jesus Cristo e, confiado em minha memória, as repetisse aqui, esperaria que todos nelas cressem, não duvidando de minha veracidade.

Mas, senhores, agradecendo-vos essa confiança em minhas citações, não procederei dessa forma.

Minha memória talvez trocasse palavras que modificariam as idéias dos textos que iria citar. Ou talvez algum de meus ouvintes pudesse ser assaltado pela dúvida quanto à completa fidelidade das citações.

Por isso, senhores, para minha tranqüilidade absoluta e para a plena, garantia de todos, vou esta noite ler-vos textualmente as conclusões sobre a pessoa de Jesus Cristo dos investigadores racionalistas. E dos investigadores racionalistas corifeus e chefes de escolas, figuras, portanto, de primeira grandeza.

Não vou citar esses arlequins da Ciência, esses falsificadores, que se cobrem com uma capa rasgada, que não é ciência, mas mero diletantismo.

O arlequim é para o café, para o jornal.

Os que estudam, como concebem a Jesus Cristo quando o estudam?

E eu, senhores, não considero estudo comprar por cem cruzeiros um livro e devorá-lo numa noite. Não!

Estuda aquele que domina o grego e o hebraico: considero capacitado para esse estudo o que conhece bem a Filologia, o manuseador de todas as bibliografias referentes a esta matéria e aquele que, assim preparado, dedica a existência ao estudo.

E esses, senhores, que dizem de Jesus Cristo?

Jesus, para Renan, com "seu perfeito idealismo, é a mais alta regra da vida, a mais destacada e a mais virtuosa. Ele criou o mundo das almas puras, onde se encontram o que em vão se pede à terra, a perfeita nobreza do: filhos de Deus, a santidade consumada, a total abstração das mazelas do mundo, a liberdade enfim" (1).

Jesus Cristo é de uma clareza de inteligência, de uma penetração de espírito tão profunda, de uma. elevação de idéias tão sublime que, para Renan, "criou o ensinamento prático mais belo que a Humanidade recebeu" (2).

"Ele concebeu - continua Renan - a verdadeira cidade de Deus, a verdadeira palingenésia, o sermão da montanha, a apoteose do fraco, o amor do povo, o gosto do pobre, a reabilitação de tudo quanto é humilde, verdadeiro e simples. Esta reabilitação ele a fez como artista incomparável, com caracteres que durarão eternamente. Cada um de nós lhe é devedor do que tiver em si de melhor" (3).

"Sente-se por tudo - escreve Loisy, o apóstata modernista - em seus discursos (de Jesus) , em seus atos, em suas dores, não sei que de divino, que eleva Jesus Cristo, não somente por sobre a Humanidade ordinária, mas também por sobre o mais seleto da Humanidade" (4).

Para Loisy a obra de Jesus Cristo "o Cristianismo , representa incontestavelmente o maior e mais feliz esforço até agora realizado para elevar moralmente a Humanidade" (5).

E o chefe do racionalismo alemão, o renomado Professor Harnack, que escreve de Jesus Cristo?

Para Harnack, "a grandeza e a força da pregação de Jesus estão em que ela é, ao mesmo tempo, tão simples e tão rica; tão simples, que está encerrada em cada um dos ensinamentos fundamentais por ela expressados, tão rico que cada um dos seus pensamentos parece inesgotável, dando-nos a impressão de que jamais chegamos ao fundo de suas sentenças e parábolas".

Atenção, senhores! Se Harnack, com a preparação científica que possuía, reconhece que, embora estudando-as a fundo, não crê haver chegado ao âmago das sentenças e parábolas de Jesus Cristo, que dirá o diletante? ...

E prossegue Harnack: foi Jesus Cristo quem "pôs à luz, pela primeira vez, o valor de cada alma humana e ninguém pode desfazer o que Ele fez. Qualquer que seja a atitude que, diante de Jesus Cristo, se adote, não se pode deixar de reconhecer que, na História, foi Ele quem elevou a Humanidade a esta altura" (6).

Quem "se esforçar em conhecer Aquele que trouxe o Evangelho, testemunhará que aqui o divino apareceu com a pureza com que é possível aparecer na terra" (7).

Diante da perfeição moral, da paz harmônica, da conduta delicada, serena, claríssima e plena de humilde majestade de Jesus Cristo, exclama Harnack: "Que prova de intensa paz e de certeza!" (8).

Ah! Quisera ter aqui uns psicólogos profundos que me dissessem o que pensam do homem que saiba ter paz na alma, e paz serena, paz de domínio, paz de tranqüilidade, apesar de todas as torturas, de todos os ódios, de todos os tormentos, inclusive o da crucificação na cruz. Espanta, senhores!

"De um só sabemos haver unido a humildade mais profunda e a pureza de vontade mais completa, com a pretensão de ser mais que todos os profetas que existiram antes dele", acrescenta Harnack (9) .

Ouçamos Wernle: "O desconcertante em Jesus é que ele tinha consciência de ser mais que um homem, conservando, contudo, a mais profunda humildade diante de Deus".

"É totalmente impossível representar-se uma vida espiritual como a de Jesus" (10) .

Tal é a perfeição que, na ordem intelectual e moral, encontram em Jesus Cristo os mesmos que não lhe reconhecem a divindade, que TYRRELL confessa, ao vê-lo tão superior aos demais homens : "Eles queriam ter a Jesus por divino, em certo sentido . . . Ele seria Deus à maneira de um sacerdote, de um representante, a manifestação carnal do que Deus significa para nós . . . Jesus seria o mais semelhante a Deus entre os homens (11).

Foi o que escreveu recentemente J. Middleton Murry, dizendo que Jesus é o mais divino dos homens. (12) .

Para AUGUSTO SABATIER, o pai do modernismo francês, Jesus Cristo é a alma mais bela que jamais existiu; sincera, pura, que conseguiu elevar-se a uma altura a que nunca o homem poderá atingir" (13),

Houve, senhores, na América, um homem que empregou toda a força de sua oratória e de sua ciência em retirar de Jesus Cristo a divindade. em exibi-lo como simples homem : Channing.

Pois este homem, senhores, arrastado e obrigado pela evidência histórica em crítica racionalista pura, emite este juízo sobre Jesus: "Creio que Jesus Cristo é mais que um homem. Os que não lhe atribuem a preexistência (isto é. Aceitam, de bom grado, que Jesus Cristo, por sua grandeza mas estabelecem entre ele e nós profunda diferença . . . sideram, por isso, de maneira alguma, simples homem os que, como ele, negavam-lhe a divindade) não o conza e por sua bondade, supera toda e qualquer perfeição humana" (14).

Wilhelm Bousset, o exegeta talvez mais fora do plano da seriedade, não pode deixar de escrever : "Jesus permanece, é certo, em relação a nós, a uma distância insuperável. . . Não ousamos medir-nos com ele, nem nos colocarmos ao lado desse herói" (15) .

E disse Goethe: "Curvo-me diante de Jesus Cristo como diante da revelação divina do princípio supremo da moralidade".

E Rosseau chega a dizer: "Se a vida e a morte de Sócrates são as de um sábio, a vida e a morte de Jesus Cristo são as de um Deus".

Que dizer mais, senhores?

A todos os demais homens é possível superar, mas Jesus Cristo atingiu a tal cúmulo de perfeição intelectual e moral, possuída em tal pureza e elevação, que RENAN confessa lapidarmente: "Jesus Cristo nunca será superado" (16).

Jesus colocado - prossegue Renan - "no mais alto cimo da grandeza humana... superior em tudo aos seus discípulos . . . princípio inesgotável de conhecimento moral, a mais alta. . . Nêle se condensa tudo quanto existe de bom e elevado em nossa natureza" (17) .

Afirmação que, antes de Renan, fez expressamente um dos mais encarniçados inimigos do catolicismo, não podendo fugir à evidência que se lhe impunha, embora contra seus preconceitos e cargas afetivas.

Strauss, a quem me refiro, escreveu estas frases: "Cristo não podia ter sucessor que se lhe avantajasse... Jamais, em tempo algum, será possível ascender mais alto que ele, nem imaginar-se nada que sequer o iguale".

Tão grandes, embora puramente humanos, aparecem Jesus e sua obra que Renan, em que pese o veneno distilado insidiosa e pseudocientíficamente em seus livros, diante da pressão da realidade, da qual foge em vão, exclama estas frases dignas certamente de meditação para o incrédulo: "A Igreja, esta grande fundação, foi certamente a obra pessoal de Jesus. Para ter-se feito adorar até esse ponto, é necessário que ele tenha sido digno de adoração". Notem os senhores que neste trecho, Renan o concebe unicamente como homem, e acrescenta: "O amor não existe sem um objeto digno de acendê-lo e nós nada saberíamos de Jesus se não fosse pelo entusiasmo que ele soube inspirar a seu redor, pelo qual podemos, agora, afirmar ter sido grande e puro. A fé, o entusiasmo, a constância da primeira geração cristã, não se explicam senão supondo, na origem de todo o movimento, um homem de proporções colossais" (18) .

E ainda diante do cadáver de Jesus, justiçado numa cruz, sente-se tão profundamente a grandeza de Jesus que, não o crente, mas a chamada ciência racionalista, deixou escritas estas linhas, com as quais dou por terminada a lista dos testemunhos, que nos mostram o conceito que, diante dessa ciência, gozava a pessoa de Jesus Cristo.

Jesus Cristo morreu; foi justiçado como blasfemo, por afirmar sua filiação divina e, diante de seu cadáver, escreveu Renan: "Repousa agora em tua glória, nobre iniciador. Tua obra está terminada, tua divindade fundada . . . Ao preço de horas de sofrimento, que não chegaram a tocar tua grande alma, adquiriste a mais completa imortalidade. Signo de nossas contradições, serás a bandeira em torno da qual se travará a mais cruenta batalha. Mil vezes mais vivo, mil vezes mais amado após tua morte do que durante os dias de tua vida terrestre, hás de chegar a ser a pedra angular da Humanidade, de tal maneira que, arrancar o teu nome deste mundo, seria sacudi-lo em seus fundamentos. Entre ti e Deus não há distinção possível. Plenamente vencedor da morte, tomas posse do reino ao qual te hão :de seguir, pela via real que traçaste, séculos de adoradores" (19) .

Senhores, peço que mediteis um momento no que acabei de ler : ‘Tomas posse do reino ao qual te hão de seguir, pela via real que traçaste, séculos de admiradores"!...Li de maneira a ser entendido?

* * *

Senhores, eis aí o que a incredulidade mais incrédula, à luz da chamada Ciência, pensa de Jesus Cristo.

Jesus Cristo é, perante a ciência racionalista, a pessoa histórica de superioridade máxima na Humanidade. Jesus Cristo é, perante a ciência racionalista, a inteligência mais sublime e mais profunda, da qual recebeu a Humanidade a doutrina mais prática e mais bela, mais simples e mais rica em conteúdo, mais consoladora e reabilitadora.

Jesus Cristo é, perante a ciência racionalista, o homem-cume e a flor da Humanidade, que jamais terá quem a supere. O homem com a consciência exata de sua dignidade sôbre-humana aliada à simplicidade e lhaneza mais sincera.

Jesus Cristo é, perante a ciência racionalista, a pessoa sem o mínimo desequilíbrio entre suas qualidades, todas sublimes, e em que reina a máxima harmonia intelectual, afetiva, moral.

Jesus Cristo é, perante a Ciência racionalista, a alma mais pura e bela, serena, delicada e plena de luz, de a.mor e de verdade.

Jesus Cristo é, perante a Ciência racionalista, aquele em quem se concentra tudo o que há de nobre, puro e elevado em nossa natureza.

Jesus Cristo é, perante a Ciência racionalista, por todas as sublimes, harmônicas e únicas qualidades que possuiu, a pedra angular da Humanidade, cuja retirada sacudiria os alicerces do mundo da vida.

Senhores, a Ciência racionalista, investigando seriamente, viu-se obrigada a confessar, através de todos seus grandes estudiosos de todas suas escolas, que Jesus Cristo é esse que acabais de ouvir. Esse sim. Mas Deus, não.

Esse, sim, senhores. O máximo em sabedoria e moral, o máximo em retidão, o máximo em justiça, o máximo em verdade. Eis o que concede a ciência racionalista a Jesus Cristo. Mas Deus, não.

E como fica tranqüila a Ciência, a racionalista, como que aliviada dum remorso opressor que a perseguia, quando concede isso a Jesus!

Sim. Se fosse lógica, séria e científica, ela deveria reconhecer que Jesus Cristo é Deus. Mas, tendo que negar-lhe a divindade contra toda lei de ciência crítico-histórica, cega pelas densas névoas que ela própria, de modo afetivo, foi criando, não regateia nada do mais sublime que se possa conceber, contanto que não exceda os limites do puramente humano.

E assim procedendo, os racionalistas como que fazem calar os gritos da verdade histórica que clama: "Não sois sério, não sois científicos, não sais autênticos no tratamento do problema mais vital da Humanidade; claudicais diante de vossos apriorismos. Isso não é Ciência".

E como que respondendo a essa voz atormentadora, semelhante a horrível pesadelo, respondem: "Deus, não. Mas em compensação, já confessamos que o maior na ordem intelectual, o maior na ordem moral, o maior na ordem afetiva, o maior da Humanidade existente e por existir, isso sim, isso é JESUS CRISTO".

A troco de negarem que Jesus Cristo é Deus, não lhes importa conceder-lhe o que concedem. Negar, com todas as forças, que Jesus Cristo seja Deus, mas exaltá-lo corno homem até o ideal.

Mas, reparai senhores: é precisamente daquilo que concedem a Jesus Cristo enquanto homem que se conclui, de maneira intuitiva, ser ele Deus.

Precisamente pelas perfeições que a ciência racionalista atribui a Jesus Cristo, enquanto homem, negando-o ser Deus; precisamente por essas concessões é que se deduz, claramente, que Jesus Cristo é precisamente Deus.

Vejamos a prova.

Há argumentos difíceis de expor, porque possuem conceitos delicados, que talvez eu não consiga expressar com a necessária clareza, mas hoje não preciso esforçar-me.

Existem, talvez, aqui pessoas como o motorista que me escuta, o operário, o comerciante metido com seus negócios, o jovem que vem do comércio ou dos bancos, que poderiam dizer-me: "Padre, não estou habituado a determinados raciocínios..."

Mas hoje, desde o operário até o intelectual vão entender-me.

Esse Jesus Cristo, senhores, disse que Deus Pai e Ele eram uma e a mesma coisa – que Ele era o Filho de Deus - que antes de Abraão Ele já tinha existência - que Abraão desejou ver o seu dia - que Ele era maior que Salomão - que aquele que, por Ele não abandonasse os pais e tudo quanto possuísse, não entraria no reino dos céus - que Ele tinha todo o poder tanto no céu como na terra - que Ele voltaria para julgar, no dia do juízo final, a Humanidade toda...

Disse tudo isto repetidas vezes, asseverando, exigindo que acreditassem no que dizia. Disse-o, senhores, quer particularmente, quer em público. Disse-o, senhores, com tal clareza e tão categoricamente que, por dizê-lo, levaram-no à cruz.

Eis agora o meu argumento. Ouvi-me um momento; o raciocínio é fulgurante.

Se Jesus Cristo não era o Filho de Deus, se não era maior que Salomão, nem anterior a Abraaão, nem possuía todo o poder no céu e na terra; se não era o Juiz da Humanidade e acreditou nisso, observai bem, senhores, Jesus Cristo não passava, então, dum paranóico vulgar. Um infeliz e delirante megalomaníaco. Um tipo digno de um manicômio.

E se não acreditou no que dizia, mas sabendo que não era nem Filho de Deus, nem nada de quanto afirmou, afirmou-o e reafirmou-o, ameaçando de condenação eterna aqueles que não acreditassem em suas palavras, então Jesus Cristo foi um refinado embusteiro, Jesus Cristo foi um impostor. Um tipo digno de um cárcere.

Jesus Cristo, senhores, se não foi Deus, como afirmava, foi um louco ou um impostor, foi um delirante ou um embusteiro.

Evidente como a própria evidência, senhores.

Mas, ciência racionalista, que nos disseste, como pura ciência, de Jesus Cristo?

Como insististe, a troco de negar-lhe a divindade, ser Jesus Cristo a inteligência mais sublime e mais profunda, mais equilibrada e harmônica que já existiu e pode existir no domínio intelectual?

Logo, se a perfeição sublimada, no intelectual, foi Jesus Cristo, não foi ele um delirante, não foi ele um paranóico, não se enganou.

Como insististe, ciência racionalista, a troco de negar a Jesus Cristo a divindade, haver sido ele a pessoa de moral mais pura e elevada, a retidão plena de luz e de verdade? ‘

Logo, se a perfeição sublimada, na ordem moral, "foi Jesus Cristo, não foi ele um vulgar e refinado impostor ou embusteiro.

Logo, senhores, se Jesus Cristo não se enganou, e se Jesus Cristo não enganou e se Jesus Cristo, séria e repetidamente, afirmou ser Deus, Jesus Cristo é Deus.

Deus, ou louco, ou impostor, Eis o dilema.

Jesus Cristo louco!? Ciência racionalista, repete agora o que concedeste à pessoa intelectual de Jesus Cristo. Foste, no entanto, a primeira a confessar que Jesus Cristo não foi um louco.

Impostor Jesus Cristo!? Ciência racionalista, repete agora o que concedeste à pessoa de Jesus Cristo. Foste, no entanto, a primeira a confessar que Jesus Cristo não foi um impostor.

Deus, ou louco, ou impostor, isso é Jesus Cristo. Perante a ciência pura racionalista, Jesus Cristo é a suma sabedoria, a suma moral, a suma retidão, a suma verdade. Logo, não é louco nem impostor.

Jesus Cristo não é louco nem impostor; logo, senhores, perante a própria ciência racionalista; Jesus Cristo é Deus.

Jesus Cristo. Agora sim, Jesus Cristo pode repetir aquela frase que, em vida, saiu de seus augustos lábios: "Mesmo quando sou eu próprio quem dá testemunho de Mim, o meu testemunho é verdadeiro" (20).

Crede-me, disse Jesus Cristo, eu sou Deus!
Senhores, terminei e convido-vos a pensar.

Falamos, algures, de Jesus Cristo na Profecia e vimos convergir em Jesus Cristo, como em ponto concêntrico, verificadas e realizadas, todas as profecias no decursa de onze séculos.

Apresentei-vos Jesus Cristo perante a História e recordai-vos de que não existe monumento literário nas obras clássicas do Universo, que tenha a certeza histórica ele que gozam os Evangelhos; recordai-vos do testemunho autorizado e insuspeito de Westcott em favor dos Evangelhos, afirmando que a alteração que neles pudesse haver não passaria de uma milésima parte do seu todo.

Vede, hoje, senhores, Jesus Cristo perante a ciência racionalista que, de maneira a não deixar dúvida, conclama a impossibilidade de ser tido como louco ou como embusteiro.

Donde, a conclusão, senhores... Desejais tirar a conclusão?

Quando me encaminhava para aqui, senhores, ocorreu-me uma passagem do Evangelho:

Certo dia, rodeado pêlos seus, Jesus Cristo perguntou-lhes: "Que dizem os homens quem eu sou?"

E os discípulos passaram a transmitir-lhes as opiniões que, a Seu respeito, tinham os homens.

Hoje imagino Jesus Cristo repetindo a mesma indagação:

Que dizem os homens quem eu sou? Que diz a ciência racionalista?

E logo, voltando-se para nós, como fizera aos seus, faz-nos a pergunta definitiva: - E vós, quem dizeis que eu sou?

Senhores, a resposta cabe a vós. Pensai.

Quereis pensar a respeito? Nada mais faço senão descortinar os horizontes. Desejais meditar sobre este problema?

Pensai. Estudai.

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Bibliografia:

(1) E. Renan, Vie de Jésus, 14 c. XV, XVII, XX; c. XXVIII.
(2) E. Renan, Vie de Jésus, pág. 125.
(3) Ibid., pág. 294.
(4) La Quatrième Evangile, 1903, pág. 72.
(5) La Morale Humaine, págs. 185-186.
(6) A. Harnack, Das Wesen des christentums, 1901, págs. 33 e 34.
(7) Ibid., págs. 33 e 34.
(8) Ibid., pág. 23.
(9) P. Wernle, Die Angange Unserer Religion, 1901, pág. 25.
(10) Jesus or Christ? Londres, 1909, pág. 15.
(11) Jesus Man or Genius, Londres e Nova Yorque, 1926.
(13) Esquise d'une Philosophie de la Religion d'autorité et la Religion de l'espirit, Paris, 1903.
(14) Discours sur le caractère de Christ.
(15) Jésus, trad. franc. da 3a.ed. alemã. Tubingen, 1907, pág. 72.
(16) Vie de Jésus, pág. 325.
(17) Ibid., págs. 465, 468, 474.
(18) Ibid., pág 463.
(19) Ibid., pág 440.
(20) Jo, 8.13-14

 

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