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                                  Dúvidas em Darwin

Confrontados pela evidência cumulativa, muitos cientistas estão abandonando a teoria da evolução. 

por Thomas E. Woodward

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Nos últimos 18 meses ou mais eu venho entretendo idéias não evolucionárias ou até mesmo idéias anti-evolucionárias. Por mais de 20 anos eu pensava que, de algum modo, eu estava trabalhando com a evolução. Uma manhã eu acordei e algo acontecera na noite, e isso muito me impressionou porque estava trabalhando nisso há mais de 20 anos, e não havia uma só coisa que eu soubesse a respeito. É um choque significativo saber que alguém possa ter sido enganado por tanto tempo.

Nas últimas semanas eu venho tentando fazer uma pergunta simples a várias pessoas e grupos: Vocês podem me dizer alguma coisa que vocês saibam sobre evolução? Qualquer coisa -- que seja verdade?


Colin Patterson 
Paleontólogo 
Museu Britânico de História Natural

Em junho de 1987, as linhas de batalha da Suprema Corte [dos Estados Unidos] novamente foram traçadas: evolucionistas de um lado, criacionistas do outro. A batalha era sobre o "Lei para o Tratamento Igual da Criação-Ciência e Evolução", que exigia o ensino de ambas as teorias nas aulas de Biologia na escola pública.
Novamente os criacionistas foram derrotados fragorosamente, o que levou Steve Shapiro da Organização das Liberdades Civis Americanas [ACLU], nomear a decisão "um fim jurídico do movimento criacionista".

Porém, o que os criacionistas não conseguiram nos tribunais e salas de aulas, estão vencendo nas universidades e laboratórios de ciência no mundo todo. Você provavelmente não lerá a respeito disso na Time, Discover, ou National Geographic, mas um crescente número de cientistas e intelectuais estão abandonando Darwin e a fé deles na evolução.

Recentes avanços em Biologia e outras ciências têm aplicado golpes tão duros na evolução que um cientista disse -- "Tudo isso [teoria da evolução] está se desmantelando".

Em 1981, o paleontólogo britânico Colin Patterson começou a perguntar a outros cientistas que lhe dissessem uma coisa que soubessem acerca da evolução. Palestrando a biólogos no Museu Americano de História Natural na cidade de Nova York, ele disse: "Eu tentei aquela pergunta na equipe de geologia do Museu Field de História Natural e a única resposta que obtive foi silêncio. Tentei a pergunta com os membros do Seminário de Morfologia Evolucionária na Universidade de Chicago, um quadro mui prestigioso de evolucionistas, e tudo que consegui lá foi um silêncio por um longo tempo e, eventualmente, uma pessoa disse, 'Eu só sei uma coisa -- não deveria ser ensinada na escola secundária'. "

Patterson afirma que a ciência moderna supõe que "uma visão racionalista da natureza [evolução] tem substituído uma irracional [criação]". Ele fez aquela mesma suposição até 1980. "Então eu acordei e conclui que toda a minha vida eu tinha sido tapeado em aceitar o evolucionismo como verdade revelada de alguma forma". Ele disse que experimentou "uma mudança sobre a evolução como conhecimento e evolução como fé".

Patterson diz que uma das razões principais pelo seu ceticismo é que não existem formas transicionais reais em qualquer lugar do registro fóssil. (Os fósseis transicionais seriam as formas intermediárias tais como -- peixes gradualmente desenvolvendo braços e pernas e se transformando em animais terrestres).

"Não acredito que teremos algum acesso a alguma forma de árvore [evolucionária] que possamos chamar de fatual", diz ele. Embora Patterson ainda acredite que a evolução ocorreu, ele enfatiza que a crença na criação ou a crença na evolução é igualmente um compromisso de fé. Este é o ponto principal de sua "heresia" darwiniana.

Razões para a dúvida

Na verdade, Patterson está longe de ser o mais extremo dos novos intelectuais céticos da evolução. Alguns pesquisadores têm abandonado completamente o darwinismo como uma teoria confiável.

Por causa das recentes descobertas em genética, biologia molecular e a ciência da informação, um crescente número destes céticos está também abraçando o conceito de um criador inteligente como a explicação mais plausível da origem da vida.

Além disso, eles desenvolveram seus pontos de vista independentemente do relato da criação do Gênesis. A maioria considera a terra como tendo bilhões de anos de idade e pelo fato que suas críticas são dirigidas a uma audiência de especialistas, seus métodos diferem daqueles dos criacionistas tradicionais. Através de cuidadosa pesquisa e equilibrado raciocínio, estes criacionistas têm apresentado calmamente suas razões para cientistas evolucionários e ganharam o direito de serem ouvidos.

Suas maiores incursões têm sido através de críticas da amplamente aceita teoria da evolução química (que diz que a primeira célula evoluiu de uma "sopa química" rica em aminoácidos e outras substâncias orgânicas).

Considerando-se que os cientistas têm estudado em detalhe a complexidade da célula -- com suas fábricas químicas e moléculas do DNA em escadas espirais que registram milhões de bits de informação genética -- muitos começaram a se maravilhar como tudo isto poderia ter acontecido por acaso, através de processos naturais.

Um cético proeminente é o astrônomo britânico Sir Fred Hoyle, famoso por sua pesquisa sobre as origens do universo. Hoyle sustenta que acreditar que a primeira célula se originou por acaso é como acreditar que um tornado pudesse passar violentamente por um depósito de ferro velho cheio de peças de avião e formar um Boeing 747. Em vez disso, através de uma teoria de "genes chovendo do espaço", Hoyle teoriza que, onde haja grandes lacunas no registro fóssil, novo material genético foi incorporado nas espécies existentes para produzir estruturas mais complexas. Ele crê que o criador destes genes do espaço não é Deus, mas alguma vida extraterrestre superinteligente.

Reavaliando o mistério

Em 1984, três ex-evolucionistas, com doutorados em química, ciência dos materiais e geoquímica, escreveram a primeira crítica relevante da evolução química, The Mystery of Life's Origin: Reassessing Current Theories [inédito em português; vide "Books About Origins", p. 24]. Com páginas de equações matemáticas e fórmulas químicas, aplicou golpes sérios à teoria que a vida começou por acaso.

Apesar do conteúdo criacionista do livro, evolucionistas têm amplamente louvado-o. A mais surpreendente aprovação veio de Dean Kenyon da Universidade Estadual de San Francisco, co-autor do Biochemical Predestination [inédito em português], uma obra importante sobre a evolução da primeira célula.

Após haver lido Mystery, Kenyon se ofereceu a prefaciar o livro. Nele, ele afirma que o livro é tão rico de críticas recentes e originais da evolução química que ficou perplexo que outros cientistas não houvessem expressado semelhante criticismo.

De acordo com Kenyon, muitos cientistas hesitam em reconhecer ou estudar os problemas da teoria porque elas "abririam a porta para a possibilidade (ou a necessidade) de uma origem sobrenatural da vida". Assim, eles continuam procurando por soluções naturalísticas.

Outros, reconhecendo os problemas da evolução química, têm adotado uma teoria chamada "pan-espermia dirigida", ou que a vida foi enviada para cá de uma outra parte do universo. O problema é que eles ainda não responderam como a vida se originou. No epílogo de Mystery, os autores explicam como os preconceitos filosóficos têm impedido a muitos cientistas de considerarem a possibilidade da criação. Então, com precisão científica, eles argumentam que um "Criador além do Cosmos" é a explanação mais plausível da origem da vida.

Isto não significa dizer que a ciência tenha descoberto o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. De acordo com um dos autores do livro, o químico Charles Thaxton, a ciência não pode afirmar uma origem sobrenatural da vida. Isto é devido ao fato que a ciência é limitada naquilo que possa ser conhecido através dos sentidos humanos, e Deus não pode ser conhecido somente pelos nossos sentidos.

Porém, a ciência pode distinguir as causas naturais das causas inteligentes, afirma Thaxton. Por exemplo, através de nossos sentidos podemos concluir que as faces [de 4 presidentes americanos] no Monte Rushmore teve uma causa inteligente e que as marcas das ondas na orla da praia tiveram uma origem natural. Semelhantemente, a ciência pode concluir que a vasta casa de armazenagem de informação registrada ao longo da molécula do DNA de até a mais simples célula deve ter tido uma causa inteligente [vide "Signature of Intelligence", p. 27].

O que a ciência não pode é demonstrar que tipo de inteligência causou isto, se Deus-Criador, extraterrestres, ou qualquer outra coisa. Isto deve ser demonstrado através da apologética, afirma Thaxton, e não da ciência.

Há vinte anos atrás, os evolucionistas não teriam considerado seriamente qualquer livro criticando a evolução química e advogando a criação. No entanto, até o Yale Journal of Biology and Medicine e o Journal of College Science Teaching concederam altas distinções para o Mystery.

"O volume como um todo" afirmou o Yale Journal, "é devastador para a aceitação tranqüila das atuais teorias de abiogênese [evolução química].

O biofísico de Yale, Harold Morowitz, que não é amigo do criacionismo, nomeou o livro como "um interessante começo com considerável lastro científico". Diversas autoridades mundiais em evolução química descreveram o livro como "uma crítica brilhante" e uma "importante contribuição".

Uma teoria em crise

Em outro grupo, Michael Denton, um biólogo australiano que se autodenomina agnóstico, também tem desafiado a fé darwiniana. O seu livro Evolution: A Theory in Crisis [inédito em português] demonstra que os alicerces intelectuais da evolução têm erodido aos poucos e que somente um filosófico "desejo de acreditar" em Darwin permanece. Novas descobertas de biologia estão nos levando mui próximos de uma "refutação lógico-formal das pretensões darwinianas" afirma Denton.

Mencionando evidência dos fósseis, embriologia, taxonomia e biologia molecular, Denton demonstra que a "grande pretensão" de Darwin -- todas as formas de vida são inter-relacionadas e evoluíram de um célula simples -- não tem sido apoiada por nenhuma evidência empírica desde 1859 quando Darwin publicou A Origem das Espécies [Belo Horizonte: Villa Rica, 1994, tradução da 1™ edição da língua inglesa].

Murray Eden, professor emérito no MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts], disse que "o livro de Denton deveria ser leitura requerida para quem acredita naquilo que lhe foi ensinado na faculdade sobre evolução".

Até mesmo o renomado antropólogo britânico Ashley Montagu louvou a Denton: "Eu o achei um escritor da mais surpreendente amplitude de conhecimento nas ciências naturais e um cientista cujas críticas são, na maioria dos casos, exatas e relevantes". Apesar disso, ele diz que a crítica de Denton não destrói o "fato" da evolução; somente questiona como aconteceu.

Neste ponto, parece que Montagu perdeu o sumário de Denton sobre a teoria de Darwin sendo o "grande mito cosmogênico do século vinte". Denton demonstra não somente que não há nenhuma evidência fóssil de quaisquer mudanças entre os diferentes tipos de animais, mas também que é impossível imaginar como essas mudanças radicais pudessem ter acontecido passo a passo através da seleção natural.

Denton investiga cuidadosamente, por exemplo, o absurdo de um mamífero terrestre gradualmente evoluindo numa baleia e da implausibilidade de uma escama reptiliana se transformar numa pena ou de um tosco ovo anfíbio se tornar num ovo reptiliano muito mais complexo.

Ele salienta que as aves, que supostamente evoluíram dos répteis, têm um pulmão "de passagem livre" completamente diferente. Quais, pergunta Denton, são os possíveis estágios intermediários entre uma ramificação reptiliana de pulmão "sem saída" e o pulmão "de passagem livre" da ave?

Mais importante ainda, Denton demonstra como a biologia molecular está trazendo maiores problemas para a evolução. Desde quando os cientistas começaram a investigar a estrutura das proteínas e do DNA, eles têm sido capazes de comparar o "soletrar químico" dessas estruturas em diferentes espécies. Nos anos 70 alguns cientistas reivindicavam que este novo dado seria o golpe final no criacionismo. Em vez disso, as seqüências das unidades químicas nas proteínas e no DNA parecem não demonstrar nenhum traço de árvore genealógica que ensina a evolução.

Denton descreve o surpreendente padrão da "isolação eqüidistante" de cada grupo, conforme demonstrado nas variações do citocromo C, uma proteína encontrada nas espécies tão diversas quanto o fermento, a carpa e o ser humano.

"Milhares de seqüências diferentes, proteína e ácido nucléico, têm sido comparados em centenas de espécies diferentes", ele diz, "mas nunca nenhuma seqüência tem sido encontrada que seja em algum sentido o descendente linear ou ancestral de qualquer outra seqüência".

Mais adiante, Denton adiciona, "Há pouca dúvida que, se esta evidência molecular estivesse disponível um século atrás, ela teria sido utilizada com efeito devastador pelos oponentes da evolução como Agassiz [um biólogo de Harvard que se opunha a Darwin], e a idéia de evolução orgânica talvez nunca tivesse sido aceita".

De acordo com Denton, a ciência tem desacreditado tão profundamente a evolução darwiniana que ela deveria ser descartada. No entanto, porque ele é agnóstico e não aceita o criacionismo bíblico, não oferece nada para tomar o lugar dela. Em vez disso, ele sugere que a ciência possa encontrar outra explicação natural no futuro.

Ele aparenta ser aberto, contudo, para o conceito geral da causa inteligente. "É realmente crível", ele pergunta, "que processos randômicos pudessem ter construído uma realidade, o menor elemento do qual -- uma proteína funcional ou gene -- é complexo além de nossas capacidades criativas, uma realidade que é mesma a antítese do acaso, que supera em todo o sentido qualquer coisa produzida pela inteligência humana?"

Apontando para Deus

O apóstolo Paulo disse: "Pois os atributos invisíveis de Deus, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que foram criadas..." (Ro 1.20).

Apesar da evidência contra a evolução, a maioria dos biólogos, provavelmente, não irão abandonar Darwin. Muitos continuaram a depreciar o criacionismo como o equivalente a crer numa terra quadrada e continuarão a ensinar a evolução como um fato básico de Biologia assim como a gravidade é um fato em Física.

Mas, por causa de cientistas como Patterson, Thaxton e Denton, a comunidade científica não está mais ridicularizando aqueles que duvidam da evolução e crêem que há uma inteligência por trás do DNA e os começos da vida. Diversos pesquisadores têm admitido que lendo The Mystery of Life's Origin fez com que pensassem pensamentos positivos sobre Deus pela primeira vez em anos.

De fato, à medida que a evidência apontando para uma "inteligência criativa" operando no universo se acumula, e o número de céticos darwinianos cresce, mais cientistas estão abertamente considerando a possibilidade que esta inteligência já tenha se comunicado com a humanidade.

Os cristãos agora têm a oportunidade em demonstrar para eles [os cientistas] a riqueza da evidência apologética que identifica aquela inteligência como sendo o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Portanto, a evidência histórica do cristianismo pode ser apresentada na "sala do tribunal do intelecto" sem ser desconsiderada no detalhe técnico de que Deus não existe.

Thomas Woodward, é professor adjunto na Faculdade Trinity da Flórida, antes trabalhou com a UFM International na República Dominicana.

Traduzido para o português por Enézio E. de Almeida Filho, Master of Arts (como Darwin) em Estudos Bíblicos (Dallas Theological Seminary), mestrando em História da Ciência, Pontifícia Universidade Católica, São Paulo, Brasil. Informações: neddy@uol.com.br 

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