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                           Os alemães, as Testemunhas de Jeová e Jo. 1.1

  James White
  Tradução: Emerson de Oliveira

            É difícil de imaginar ter qualquer conversação com uma Testemunha de Jeová sobre a Divindade de Cristo sem ter que falar de Jo. 1.1 e a infame "tradução" (eu uso o termo muito ligeiramente) de sua Tradução do Novo Mundo: "No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era um deus". Ao mesmo tempo, o cristão comum está mal preparado para lidar com as informações dadas pelas zelosas TJ e seus livros da Sociedade Torre da Vigia (que em seus artigos, pelo menos uma vez ao ano apresenta a tradução como "precisa") e em apêndices nas edições da TNM de 1971 e 1984. Aqui, elas apresentam as declarações de vários "estudiosos", dando à Testemunha uma leve sensação de que Jesus "era um deus".

          Antes de vermos exatamente o que as TJ tentam usar como apoio à sua "tradução", vamos ver o próprio versículo e ver o que diz.

   1. No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Divina. (tradução pessoal)

          Este versículo não só dá o quadro para entendermos os próximos versículos mas o livro inteiro. O prólogo funciona, eu acredito, como uma "janela"  interpretiva para o Evangelho inteiro. João quer nos dizer que o resto de seu trabalho é para mostrar a natureza de Jesus Cristo, apresentada nestes versos. O mal entendimento deste versículo é a causa de muitas interpretações incompatíveis e ilógicas das palavras de Jesus.

1.1 nos leva de volta antes da Criação. Alguns lembram o "princípio" como em Gn. 1.1, e realmente pode ser traduzido assim, mas o verbo "era" (gr: en, imperfeito de eimi) nos leva antes de qualquer "princípio" que podemos desejar escolher. A ação contínua no passado do tempo imperfeito do verbo nos indica que a Palavra sempre existiu. Em outras palavras, a Palavra é eterna - infinita - sem um "princípio".

Também note o fato que João cuidadosamente diferencia entre os verbos "era" e "se tornou" (gr: egeneto, uma forma aorista de ginomai). A razão para isto, eu acredito, é que ele deseja enfatizar a natureza eterna e não-criada do Logos sobre a natureza finita, temporal, criada de todas as outras coisas. Isto virá nitidamente em 1.14.

O porquê João escolheu usar o termo grego Logos é uma questão de algum debate. O termo teve grande significado na filosofia grega como o princípio impessoal mas racional que criou o universo. O Logos é o que compreendeu o universo. Mas João não usa Logos deste modo - de fato, ele radicalmente altera o uso da palavra ao mesmo tempo em que mantêm certo sentido desta palavra. O Logos de João é pessoal - o Logos não é só um princípio de ordem mas um ser pessoal. Como a explicação de João sobre o Logos varia, veremos que o Logos mostra que Deus é encarnado em Jesus Cristo. Para João Jesus é a revelação de Deus em carne (1.14) mas Ele não revela Deus neste momento -sua relação para com Deus, o Pai (1.18) sempre foi uma revelação - o Logos sempre faz Deus conhecido porque é a escolha do Pai a ser revelada pela Palavra. Isto será importante para entendermos como João identifica Jesus como YHWH de modos diferentes - às vezes pelo uso da frase "eu Sou" (gr: ego eimi) e às vezes através de forma direta, como em Jo. 12.39 - 41/Is. 6.1.

 " ...e a Palavra estava com Deus..." O apóstolo João entra numa excelente linha neste versículo. Na primeira parte ele afirma a eternidade do Logos. Agora ele diz que o Logos é pessoalmente eterno - quer dizer, que o Logos estava em comunhão e comunicação com Deus desde a eternidade. O verbo é igual na primeira parte, e a preposição pros (com) nos mostra uma relação face-a-face. João ainda não identifica estas pessoas - nós temos que esperar até versículos 14 ao 18 para ver que João está falando de Jesus Cristo, o Filho e Deus Pai. O que ele deseja enfatizar aqui é a existência pessoal do Logos duma forma diferente "Deus" (i.e., o Pai). O Logos não é o Pai nem vice-versa - há duas pessoas aqui.
    A terceira parte deste versículo causou um grande debate, principalmente  devido ao fato que a palavra grega para Deus, theos, não tem o artigo definido (o) antes disto. Alguns grupos pseudo-cristão ou arianos disseram que isto significa que a Palavra era um "deus" ou uma divindade como um anjo (TJ). Mas é este o caso?
[N. do T.: As Notas de Tradução dos Evangelhos, de Jay Green, diz: "João responde ao arianismo, porque o Logos sempre foi eternamente Deus e sua ligação com o Pai e o Espírito destrói o arianismo e o gnosticismo. Este versículo é o suficiente para responder às TJ. E isto a despeito do fato que elas tentam insistir que há um artigo antes de Deus na última parte do versículo: 'e o Verbo era Deus'. A TNM tem: 'e a Palavra era um deus'. E numa nota elas colocam dizendo que o anartros teos (sem o artigo definido) mostra alguém com as mesmas características. O intento de tudo isso é fazer o Verbo ser alguém criado. Gordon Clark cita a Gramática Grega de Goodwin: "um substantivo predicado é como um artigo"(...) João sabia grego melhor que as TJ. E por usar o grego com exatidão no v. 1 ele tira totalmente a idéia das TJ de tirar a divindade de Jesus."]

      De fato, a resposta para esta questão parece bastante óbvia, até mesmo para um estudante do primeiro ano de grego. A terceira parte de 1.1 é uma oração copulativa - quer dizer, segue a forma "o (substantivo) é (predicado nominativo)." Em grego, distingue-se o assunto de uma oração copulativa pela qual substantivo tem um artigo na frente. Por exemplo, em 1 Jo. 4:8 temos na última parte: "Deus é amor". Agora, em grego isto é ho theos agape estin. Há dois substantivos nominativos nesta oração - Deus (theos) e amor (agape). Porém, o primeiro substantivo, Deus, tem o artigo ho antes. Isto mostra que "Deus" é o assunto da oração, e amor é o predicativo nominativo. Seria errado então, traduzir 1Jo. 4.8 como: "o amor é Deus". O único meio de fazer os dois substantivos intercambiáveis é ou pôr o artigo em ambos os substantivos, ou não pôr o artigo. Se há o artigo em um e no outro não, um é o assunto e o outro o predicado. Assim, 1 John 4:8 não ensina que todo o amor é Deus, nem que Deus e amor são coisas intercambiáveis. O termo "amor" nos mostra algo sobre Deus - quase funciona como um adjetivo e descreve o substantivo (Deus) que modifica.

      Temos a mesma situação em 1.1c. O grego lê, kai theos en ho logos. Note que o termo Logos têm o artigo ho enquanto o termo theos não. Isto nos mostra que o assunto do versículo é o Logos. Conseqüentemente, nós não podemos traduzir a frase "e Deus era a Palavra", pois isso alteraria o tema do versículo. Por isso, o termo "Deus" é o predicado nominativo, e funciona da mesma maneira que "amor" em 1 Jo. 4:8 - nos conta algo sobre o Logos - e quer dizer, que a natureza do Logos é a natureza de Deus, da mesma maneira que a natureza de Deus em 1 Jo. 4:8 é o amor. Agora, João enfatiza o termo "Deus" colocando-o primeiro no versículo - isto não é só uma "natureza divina" como os anjos - mas é a verdadeira natureza da Divindade que se mostra aqui (conseqüentemente minha tradução como "Divina"). O dr. Kenneth Wuest, professor de grego do Instituto de Bíblico Moody assim traduziu: "E a Palavra era como a essência da Divindade absoluta".
      Antes de resumir o versículo note que quando grupos como as TJ citam o dr. Philip Harner sobre a natureza de anartros (=sem o artigo) predicativo nominativo, eles não entendem o sobre o que eles estão falando. Harner diz que o predicado nominativo anartos funciona como um termo descritivo ao invés de um termo específico ou definido. O problema é que as TJ lêem "Deus" em Jo. 1.1 da mesma maneira que está definido como as traduções que elas atacam! Ao traduzirem por "um deus" eles desabam todo o versículo - a palavra "Deus" funciona como uma descrição do Logos - traduzir como "um deus" significa um deus definido em vez de seguir Harner ao descrever o Logos. O que Harner diz é que não é o "Deus" definido que se fala, ao contrário da tradução dos TJ de "um deus" (ambos são definidos) mas é a natureza do Logos.
      Conseqüentemente, 1.1 nos mostra algumas coisas imensamente importantes. Primeiro, vemos que o Logos é eterno, incriado. Segundo, vemos que há duas Pessoas Divinas para João - o Pai e o Logos. Terceiro, há eterna comunicação e relação entre o Pai e o Logos. Finalmente, vemos que o Logos tem a natureza de Deus. Estes artigos serão importantes para uma compreensão de muitas das declarações feitas por nosso Senhor neste livro. Me parece que João sentia que era vital entender a majestade da Pessoa de Jesus Cristo desde o começo. Isto influencia todo o conceito de seu evangelho.

 


                Uma Má Jogada
        A Torre da Vigia tenta mostrar várias "traduções" que supostamente apóiam a sua de Jo. 1.1. A edição de referência de 1984 cita duas, uma de 1808 e outra de 1864. A primeira é The New Testament, in an Improved Version, Upon the Basis of Archbishop Newcome's New Translation: With a Corrected Text. A segunda é a Enfática Diaglótica, de Benjamim Wilson, uma "leitura interlinear". A Sociedade citava a tradução de Johannes Greber que também lia "um deus", até que Greber reconheceu que ele a obteve de "guias espirituais". A Sociedade tentou de todas as formas apagar os traços de Greber, mas não deu certo.

      Devo dizer que não sei quem é o responsável pela primeira tradução -  a que nós temos aqui é uma versão que foi originalmente feita pelo arcebispo Newcome, mas foi "corrigida" por um grupo unitário que não se sabe se eram bons de grego. Nós não podemos culpar o arcebispo Newcome pela má tradução dos unitários.

       A segunda fonte, a de Benjamim Wilson, só lê "um deus" na parte interlinear - a tradução de Wilson lê, "e o Logos era Deus". Temos a impressão que a STV está tentando desesperadamente achar algum tipo de apoio erudito quando usa essa tradução interlinear de um tradutor obscuro do século XIX! Mas, este é o mesmo grupo que confiou na "tradução" de Johannes Greber e seus espíritos...

        Em 1985, a Sociedade publicou uma nova edição de sua Tradução Interlinear das Escrituras gregas. No Apêndice 2A eles adicionaram outra "tradução" para a lista - a de John S. Thompson de Baltimore, chamada  Monotessaron; ou, a História do Evangelho, de acordo com os Quatro Evangelistas. Esta versão, datada de 1829, diz "e o Logos era um deus".

       Em seu novo livro, "Witnesses of Jehovah", Leonard e Marjorie Chretien nos dão uma nova informação sobre quem John Thompson foi. Eles citam a The American Quarterly Review de setembro de 1830. Aqui lemos que Thompson diz, "eu me alegrei em ter sido um feliz instrumento na mão de Deus, de ter feito mais para a humanidade do que todos os professos comentaristas dos últimos quinze séculos"! Além da falta de humildade, parece que Thompson "foi mudado por todo vento de doutrina", indo de um calvinista a um pregador armênio, um restauracionista, um ariano restauracionista e até um unitário universalista (deveria soar familiar agora!) Os Chretiens também mostram que Thompson admitiu ter tido experiências com - pasmem! - espíritos que o ensinaram a "ser cuidadoso em representar Jesus como o único instrumento de Deus em tudo o que faz". Leia o livro dos Chretien para saber mais.

        Com a exposição pública da nartureza do trabalho de  Greber, a Sociedade ficou com uma lista diminuta de traduções que a ajudassem em sua leitura de Jo. 1.1. Assim, eles se voltaram para o alemão, e proporam três traduções de1975, 1978, e 1979.

        A primeiro é a de Siegfried Schulz, chamada Das Evangelium nach Johannes (todas as três traduções têm o mesmo título). A Sociedade traduz a versão de Schulz assim: "e um deus (ou, um ser divino) era a Palavra". A segunda é a de Johannes Schneider. Elas traduzem assim: "e um ser divino era o Logos". Finalmente elas citam a tradução de Jürgen Becker: "e um deus era o Logos".

        Estas novas traduções foram incluídas na Edição de Referência da TNM de 1984 , no Apêndice 6A. Elas desde então foram citadas em vários artigos da Sentinela.

        Quando eu vi estas citações, eu fiquei chocado com a ironia da situação. Para tentar sustentar uma tradução obviamente ruim, a Sociedade tem que procurar em outra língua para encontrar algum tipo de apoio! A próxima coisa que me veio foi: "a Sociedade sabe muito sobre a filosofia e a visão dos modernos estudiosos bíblicos alemães?" Isso foi seguido pelo pensamento, "se soubessem, eles gostariam de saber que estes homens tem uma idéia da Bíblia completamente diferente do que eles eles proclamam como verdade absoluta ?" Fiquei sabendo que alguém teria que pesquisar a autenticidade dessas traduções. Sempre tem que se confirmar as citações de estudiosos pela Sociedade  - os escritores da Torre da Vigia são peritos em fazer os estudiosos dizerem o oposto do que eles quiseram dizer.

        Com o tempo vi que nunca publicaram nada sobre esses homens e suas traduções. Assim, decidi tentar achar um pouco de informação por mim mesmo. Eu escrevi ao dr. Keith Parks, chefe das missões da Convenção Batista Meridional na Europa. O dr. Parks mandou minha carta para o dr.Wiard Popkes do Theologisches Seminar des Bundes Evanglisch-Freikirchlicher Gemeinden na Alemanha. O dr. Popkes respondeu muito depressa a meu pedido de informação. Ele copiou as traduções atuais para mim, como também os comentários.
       Em uma carta de 6 de abril de 1988, o dr. Popkes escreveu, "Minha impressão é que todos os estudiosos querem trabalhar os mesmos pontos, i.e., que a Palavra é de qualidade divina, embora João declare neste contexto a não-identidade do Pai e do Filho. O comentário diz mais sobre as idéias dos autores que a tradução". (Carta pessoal do dr. Wiard Popkes para James White)

       O dr. Popkes também me deu informação sobre os autores: "Johannes Schneider foi um batista e ensinou na Universidade em Berlim. Ele morreu em 1970. Siegfried Schulz e Jürgen Becker são professores do Novo Testamento, Schulz na Universidade de Zurique, Becker na Universidade de Kiel. Ambos pertencem ao que pode ser chamado o principal fluxo da pesquisa do NT alemão, e certamente devem muito para Rudolf Bultmann. Isto não significa, porém, que suas interpretações do prólogo de João seguem Bultmann. Mas nos anos seguintes a Bultmann houve muita pesquisa nesta passagem das Escrituras".

        Antes de estudarmos cada contribuição dada por estes autores, vamos ver algumas coisas. Primeiro, os Testemunhas de Jeová são especialistas em citar frases de pessoas que tem idéias totalmente diferentes deles (como se a pessoa estivesse apoiando seus ensinos). Isto é muito visível. Nenhum destes estudiosos são arianos. O dr. Schneider era batista. Os outros dois homens, como o dr. Popkes indica, vem de uma escola de estudos bíblicos que não tem nada a ver com as idéias das TJ. Quem conhece Rudolf Bultmann e suas idéias sabe do que estou falando. Se fossem coerentes com o que dizem, as TJ ficariam longe destes homens. Bultmann enfatizou a necessidade de "desmistificar" a Bíblia; quer dizer, tirar todas as tolices sobrenaturais e acharmos o verdadeiro Jesus histórico. As escolas alemãs ainda estão presas à crítica bíblica naturalista, e duas das traduções que as Testemunhas citam vem direto delas.
        Segundo, estes homens estão tentando para enfatizar um ponto muito diferente do que as Testemunhas ensinam. Estes homens mostram a diferença entre o Pai e o Filho em Jo. 1.1 da forma certa. Mas as Testemunhas não sabem disso, porque elas foram ensinadas que isto é o falso ensino da Trindade. Eles sabem que a Trindade apresenta o Pai e Filho como sendo uma pessoa. Isto não é Trinitarianismo, mas modalismo, uma antiga heresia que às vezes foi chamada sabelianismo. Estes estudiosos alemães estão tentando para enfatizar a existência separada do Logos como uma entidade pessoal. Apesar de entendermos isto, parece que eles foram muito além de realizar suas metas.

        O material que o dr. Popkes me enviou estava, naturalmente, em alemão. Embora eu tivesse estudado o alemão há durante três anos, eu não me sentia qualificado para tentar uma boa tradução. Assim, eu pedi a um amigo meu, o sr. John Cecchini, que é mestre em alemão. John amavelmente concordou em traduzir as partes  do material fotocopiado.

         Vamos estudar com atenção seus textos:
                       (Schulz) und ein Gott (oder: Gott von Art) war das Wort.
                       (Schneider) Und Gottlicher Art war der Logos.
                       (Becker) Und ein Gott war der Logos.
         Um pensamento que imediatamente me veio ao ler isto em alemão é que parece que eles perderam o fato que em grego o assunto da oração copulativa é conhecido pelo artigo - estas traduções parecem fazer o Logos o predicado nominativo, em vez do assunto do versículo. Porém, um dos autores (Schulz) parece corrigir isto:
                  A tradução do sr. Cecchini ficou assim:

                       (Schulz) " ...e um Deus (ou tipo de Deus) era a Palavra".
                       (Schneider) "E uma forma de divindade era o Logos".
                       (O Becker) " ...e um Deus era [o] Logos".
 

       Os comentários dos homens confirmam o fato que eles estão tentando para enfatizar a diferença entre Logos e Deus em 1.1c para evitar qualquer ligação dos dois. Becker e Schneider, porém, vão além da ortodoxia (influenciados pelo liberalismo alemão de Bultmann - o que não é de se admirar - precisamos nos lembrar que Bultmann não achava importante saber se Jesus ressucitou ou não). Schulz comenta:
         "A terceira parte da frase parte da premissa básica relativo à Palavra "pré-existente ": "e Deus era a Palavra". No v. 1c "Deus" está em contraste com o conceito divino articulado no verso 1b enfatizado no princípio tanto por falta do artigo ... como na última parte de 1b - o todo dá um ser divino à "Palavra". O óbvio "e Deus" é o predicado e de nenhuma maneira identifica a Palavra com "o Deus". Assim "a Palavra" é identificada como "Deus" da mesma maneira que o outro, com que esta "Palavra" está em ligação. O ser divino [alemão: Gott-Sein] denota a essência da "Palavra" como o próprio Deus. A palavra "Deus" no predicado do verso 1c não é o tema - como na tradução "de Lutero "e Deus era a Palavra" pelo contrário é o predicado. A "Palavra" não é o "Deus" (verso 1b) ou Deus o Pai. Igualmente, o Logos é um tipo de Deus, essência divina, essencialmente igual a Deus, de forma que a tadução seria: "e a Palavra era um tipo de deus". As tradições religiosas de monoteísmo no Velho Testamento e os judeus se sentem elogiados ao lerem este versículo. Porém, de nenhuma maneira, é uma interidentificação".
      O que ele quer mostrar é a diferença entre o Pai e o Filho e não a negação da Divindade do Filho como a Torre da Vigia gostaria de dizer. É verdade que estes homens estão dispostos a serem subordinalistas para manter a unidade da Divindade - é verdade também que eles são capazes de pensar assim pelo ensino bíblico e pelo monoteísmo. Mas nós temos que nos lembrar que, por causa da idéia liberal alemã sobre as Escrituras, tudo é permitido. É aqui que o cristão tem que rejeitar - e ironicamente, até as Testemunhas - o conceito alemão de a Bíblia ser contraditória. Se a maioria das Testemunhas soubessem que os estudiosos da Sociedade são forçados a citar a Bíblia da mesma maneira que os estudiosos alemães, elas ficariam supreendidas. Por exemplo, outro estudioso alemão, o dr. Otto Weber, escreveu em seus dois volumes da Fundação da Dogmática (o qual eu tive a infeliz responsabilidade de ler para uma classe de teologia sistemática):

       "Parece que a Palavra da Escritura não é só uma palavra, mas a palavra de numerosas testemunhas. Estas são tão diferentes entre elas que a procura para as "contradições" bíblicas, particularmente desde o Iluminismo, poderia se tornar um hábito agradável ...mas temos que nos lembrar que as contradiç~eos da Bíblia não são só questões de expressão...nunca se achaou tantas falhas e contradições desde o tempo de Lutero." (1:236,261)

        Veja que Weber seria considerado mais "conservador" que aqueles que seguem a tradição Bultmanniana da qual a Torre da Vigia tira suas citações.

 


             Conclusões
         O que significa este estudo? Parece ser importante que não achemos nenhum estudioso bíblico que crê que a Bíblia é a Palavra de Deus, inspirada e consistente com si mesma, que lê Jo. 1.1 como "um deus". Encontramos médiuns e unitários que assim lêem e tem que achar outras "traduções" que concordem com eles. Nós também achamos estudiosos alemães que tentam diferenciar entre o Pai e o Filho propondo traduções incomuns de Jo. 1.1. Entretanto, nenhum destes identificaria Jesus como algum tipo de ser criado como arcanjo Miguel - eles também não diriam que o Logos é um tipo de manifestação "menor" de Deus. O que vimos, porém, é o que Jo. 1.1 diz de fato, e o que ensina. Nós vimos a  eterna existência da Palavra, sua relação pessoal com o Pai, e o seu ser absoluto como Divindade. Esperamos que você possa compartilhar essas verdades com a próxima Testemunha que bater à sua porta.

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