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                                              A novela Watchtower

  ©Timothy Campbell

Traduzido por Fábio Pacheco com permissão, de 
 Translated by Fábio Pacheco with permission, from 
     
www.beyondjw.com/ 

INTRODUÇÃO 


Do autor 

Estas páginas descrevem algumas das minhas experiências como um membro das Testemunhas de Jeová. Descrevem minha desilusão crescente com a organização, e minha convicção crescente que esta não é a fonte exclusiva de Deus para esclarecimento. 

Eu estou relatando minhas experiências na esperança que ajudará alguém a evitar o tipo de sofrimento que eu tive de suportar. Minhas palavras às vezes podem parecer ásperas, mas eu simplesmente não posso achar as palavras para descrever a angústia que sofri e continuo sofrendo. Se eu ocasionalmente parecer amargo, por favor, tenha em mente que minha família foi duramente dividida por causa da Sociedade Torre de Vigia. Parece que sentirei os efeitos desta religião pelo resto de minha vida. 


Do editor 

Eu escolhi o título "A Novela da Watchtower" porque este é um relato pessoal, ao invés de um argumento doutrinal. Às vezes, quando estamos no meio de debates doutrinais, tendemos a esquecer da questão principal: pessoas. Poderíamos memorizar a Bíblia inteira e ainda assim não entender a essência fundamental documentada em Lucas 10:25-37. 

Eu não estou seguro de quantas pessoas verão comparações diretas entre esta história e as suas próprias experiências. Ao menos, porém, eu penso que nos lembrará que a estrutura autocrática da Sociedade pode ter alguns infelizes efeitos colaterais. 

O autor deste artigo decidiu permanecer anônimo, visto que seus familiares ainda são Testemunhas de Jeová.


A HISTÓRIA 

O pioneiro expresso 

Enquanto crescia, era continuamente exortado a me tornar um "pioneiro", gastando 100 horas de pregação pública a cada mês, enquanto provendo de alguma maneira minhas próprias necessidades materiais. O encorajamento veio de meus pais, da própria Sociedade, dos servos de circuito, dos servos de distrito, e dos anciãos de minha congregação. 

Quando eu terminei a escola, me ocupei em um trabalho de tempo integral por quase um ano. Me foi dito que eu deveria estar abrindo caminhos, ao invés de trabalhar secularmente. Durante este tempo me mudei para onde meu irmão e a família dele moravam. Foi ali que tive minha primeira experiência ruim com os anciãos da congregação local. 

Não era da minha conta 

Eu estava ajudando um pequeno grupo de interessados em uma área rural, aproximadamente 75 milhas da cidade. Até onde eu pudesse contar, não havia nenhum esforço organizado para prover estudos da Bíblia para estas pessoas. 

Num domingo, eu cheguei a um dos anciãos da congregação e lhe contei desta necessidade. Nós tínhamos uma abundância de anciãos e servos ministeriais, assim eu pensei que nós tínhamos uma "força de trabalho" para endereçar esta necessidade crescente. 

Eu fui prontamente levado para a biblioteca por dois anciões. Eles me disseram que não era o meu lugar para oferecer sugestões. Eles disseram que isso não era da minha conta. 

Eles tiveram suas razões. Eles disseram que criaria muito sofrimento aos irmãos locais. Eles também disseram que se estas pessoas quisessem ajuda, poderiam se dirigir a cidade. 

Eu fiquei surpreso. Eu esperava que os anciãos mostrassem grande preocupação por estas perdidas (embora distantes) ovelhas, e fizessem alguns arranjos para terem certeza que elas poderiam ouvir a "verdade." 

Na ocasião, eu tinha a impressão que para obter ajuda com a "verdade", tudo que se precisava fazer era perguntar. Eu nunca esperei por uma resposta,"Quem você pensa que é, para fazer tal sugestão? ou "requereria muito esforço de nós." 

Dado a situação, eu assumi que era meu dever fazer o que pudesse, para o melhor de minha habilidade e recursos limitados. Eu viajei para lá todas as semanas para dirigir estudos e prover encorajamento. Porém, eu era jovem, e não ganhava muito dinheiro, assim minhas viagens ficaram menos freqüentes. Muitas das "ovelhas" em potencial estavam se perdendo. Considerando que eles eram pobres, eles não tinham os recursos para dirigir 75 milhas e comparecer as reuniões. 

Eu estava infeliz com a posição tomada pelos anciãos, mas visto que eu era jovem e sem experiência, encarei que não deveria contestar as decisões tomada pelos anciãos. 


Subindo degraus 

Logo após isto (à idade de 20 anos) me mudei novamente e ingressei no serviço de tempo integral, (i.e. o pioneiro). Eventualmente eu fui designado como um servo ministerial. Tão longe, e tão bom. 

Algumas coisas, porém, me perturbaram. Meu pai era um ancião nesta congregação, assim, eu me dei conta da quantidade de problemas que existiram nesta congregação. 

Eu me lembro do caso de um ancião de 50 anos, que tocava e bolinava as irmãs mais jovens enquanto estava no serviço de campo com elas. Na maioria das vezes, as irmãs jovens tinham medo de falar, assim, nada era feito. 

Este ancião era um pioneiro, assim, ele teve muitas oportunidades para se jogar nestas jovens meninas. Este ancião tinha um filho que foi designado como um ancião, entretanto eu nunca vi qualquer qualidade que justificasse este privilégio de serviço. Na realidade, ele estava orgulhoso, arrogante e egotista. Alguns anos depois, o filho reivindicou que ele fazia parte dos 144,000 e começou a participar dos emblemas da comemoração. Ele não tinha nem 30 anos. Eu fiquei confuso; tudo parecia ir contra ao que eu tinha sido ensinado. 


Olhando a gaveta 

Eu mudei para outra cidade, devido a necessidade. Muitos anciãos se mudaram ao mesmo tempo que eu, assim nós tínhamos 8 anciãos, 4 servos e 4 pioneiros. Pareceu ideal, mas eu fiquei chocado pelo que aconteceu em seguida. 

Um ancião local e sua esposa estavam estudando com uma rica senhora, já de idade. Eles se tornaram bastante amigos. 

O ancião, que era empregado como um zelador, começou a adquirir alguns artigos caros, de repente. Um dia, eu visitei a casa dela, que distava a apenas um quarteirão, para pedir emprestado uma pá de neve. Quando eu devolvi a pá, ela me convidou para uma limonada. 

Durante nossa conversa por este refresco, ela me perguntou se eu poderia ajudá-la com o balanço financeiro de seus cheques. Ao abrir o livro de caixa dela, eu vi vários cheques nominais ao ancião, mais de $2000 - só no mês corrente. 

Eu perguntei sobre eles, e as palavras dela estão até hoje queimando em minha mente: "Oh, ele e a esposa dele estavam sempre dizendo do quão pouco dinheiro possuíam e de como seria agradável comprar isto ou aquilo, então lhes dei o dinheiro que eles queriam." Eu perguntei se eles alguma vez recusaram o presente dela. Ela explicou, "Eles disseram que se você vai nos dar o dinheiro, então poderemos comprar isso ou aquilo. 

Bem, eles não estavam pedindo cheques em branco, mas eu senti a necessidade de vasculhar um pouco mais. Ela me deu permissão para olhar o resto do livro caixa. Eu pude voltar 5 meses, e descobri que nesse período, ela tinha dado a eles perto de $20,000. 

Me vi diante de um dilema. Eu sentia que este tipo de coisa era pouco ético mas não soube o que fazer com a informação. Quando fui embora, minhas escolhas foram feitas por mim. 

O ancião tinha descoberto de alguma forma que eu tinha olhado os livros da velha senhora. Na reunião seguinte ele me chamou para o quarto na parte de trás do Salão e começou a me castigar pela curiosidade. Eu achei a atitude dele abrupta e arrogante. Eu não pude expressar minhas preocupações, porque ele me interrompia sempre que eu tentava falar alguma coisa. 

Ele disse que ele poderia remover meu cargo de servo ministerial se eu não prestasse atenção aos meus próprios negócios. Pelo ano que se seguiu, ele continuou me tratando com desprezo. 

O ancião e sua esposa buscavam a velha senhora para trazê-la às reuniões. Um dia chegaram em um carro de luxo, impossível de ser adquirido com o salário dele de zelador. 

Mais tarde, ele levou sua família para uma excursão nos mares do sul, o preço para a excursão era de $7500. Quando eles voltaram, começaram a construir uma nova casa. Eles disseram que estavam construindo um quarto para ela morar, no porão. Uma vez mais, tudo isso me cheirou muito mau. 

O irmão carnal do ancião (também um ancião), me pediu que ajudasse na construção da casa. Eu não estava confortável com a situação, assim, recusei participar. Um pouco depois disso, me encontrei totalmente alienado na congregação. 

Eu finalmente levei ao servo de circuito todos esses assuntos. Ele me disse que prestasse atenção ao meu próprio negócio. Eu descobri depois que o servo de circuito era um bom amigo do ancião, cuja integridade eu estava questionando. Além disso, o ancião em questão tinha contribuído generosamente com as necessidades do servo de circuito. 

Talvez o servo de circuito simplesmente não acreditou em minha história. Talvez ele escolheu não acreditar. Ou poderia ter sido um acordo entre os velhos "meninos". 


À procura de pastos mais verdejantes 

Tudo isso foi demais para mim, assim eu escrevi à Sociedade e perguntei onde a necessidade era maior. Eles ofereceram várias escolhas. Eu assumi que qualquer outro lugar seria melhor da onde eu estava. 

Trabalhando com três congregações diferentes, eu encontrei muitos do mesmo tipo de homens, que se preocupam pouco com o bem-estar do rebanho. Eu fiquei desanimado; parecia ser pouca justiça e até mesmo pouco amor. Eu ainda marchei. Eu ainda acreditei firmemente na Sociedade, assim que concluí que não havia outro caminho. 

Me mantive em movimento, enquanto procurando a congregação ideal, mas eu encontrei o mesmo tipo de atitudes repetidamente. Parecia que quanto mais tentava ajudar, tanto mais os anciões ficavam transtornados. Eu suponho que eles não gostavam de alguém lhes mostrando o que deveriam estar fazendo (cuidando das ovelhas, ser um pastor). 

Em uma congregação, eu fui designado como um servo, e eu encarei meus deveres da melhor forma que pude. Mas eu já estava tendo sérias dúvidas sobre minha fé. Eu continuei empurrando estas dúvidas aparte, enquanto esperando que elas fossem embora. Eu esperava que Jeová consertaria tudo no devido tempo.. 

A curto prazo, porém, eu mudei mais algumas vezes, procurando por uma congregação que estivesse "cheia de amor". Eu nunca encontrei uma. 


Problemas em casa 

Em 1985, me encontrei tendo dificuldades com minha primeira esposa. Ela começou a exibir sintomas de depressão maníaca. Dentro de alguns anos, ela começou a fazer reivindicações que ela era da classe dos ungidos. Pouco tempo depois, ela começou a reivindicar também que era o próprio Jesus Cristo. Aconselhamento profissional não ajudou. Assim como muitas pessoas na situação dela, ela sabia como e quando esconder sua condição. 

Durante um episódio de grande desilusão, ela me disse que, sendo Cristo, teria o direito de se casar com outra pessoa. Então, ela se interessou por um dos anciãos local, assim, assisti ao ancião local dialogar com ela. Ele lhe falou que ele já era casado e que o que ela estava dizendo não ia acontecer. Este ancião também discutiu com ela, sobre o argumento dela, se era ou não Jesus Cristo. 

Depois de algum tempo ela disse a ele: ok, se você não vai se casar comigo, me casarei então com o David (outro ancião de nossa congregação). O ancião desistiu, me dizendo que não poderia realmente ajudar e nem mesmo entendia o que se passava na cabeça dela. 

Minha esposa começou a dizer aos anciãos que eu era uma pessoa miserável e que eu tinha estado na prisão por seqüestro e assassinato. Os anciões e os novatos da congregação começaram a me evitar. Eu compreendo que muitas pessoas acham que a loucura é infecciosa, mas o fato é que, quando mais precisei deles, não estavam lá para me ajudar. 

Eventualmente, minha esposa decidiu que o lugar dela não era em minha casa. Ela amaldiçoou a mim e as crianças, enquanto nos falando que Deus iria nos golpear com fogo do céu. Ao partir, ela disse que não queria ver outra vez, nem a mim ou as crianças. Ela também confessou infidelidade. Eu pedi o divórcio. 


Pelo livro 

Seguindo o conselho da Sociedade em tais assuntos, eu escrevi uma carta à congregação, os informando de minhas intenções. A princípio me foi dito "se isso é o que você quer, não podemos impedi-lo". Porém um mês antes que saísse meu divórcio, estes mesmos anciãos mudaram de idéia. Eles disseram que eu não poderia me divorciar de minha esposa, afinal de contas. 

Porquê essa mudança de opinião? Um dos motivos foi que eu tinha contratado uma irmã para cuidar de minhas crianças enquanto estava no trabalho. Eles disseram que eu não tinha o direito de "ver" esta irmã estando ainda casado. Eu não estava sendo "social"; mas ela era simplesmente uma babá para mim. 

Uma noite, eu fui chamado no Salão do Reino e sentei diante de 8 anciãos (4 de minha congregação e 4 da congregação da babá). Eles me grelharam como se eu estivesse sendo julgado, e repetiram a opinião deles que eu não tinha o direito de me divorciar da minha esposa. O ponto era discutível, realmente, já que minha esposa tinha partido. 

No dia seguinte, quando eu estava me preparando para mudar de localidade (e para um novo emprego), um ancião visitou minha casa para informar que eu ia ser desassociado. Tendo lançado esta granada explosiva, se virou e foi embora. 

Em meio a este sofrimento tenebroso, houve um feixe de luz. A irmã que tinha cuidado de minhas crianças, desaprovou fortemente o modo que eu estava sendo tratado, e era muito encorajador. Nos entendemos, e eventualmente nos casamos. Eu suponho certos anciões murmurando, "eu não disse! " mas a consideração cuidadosa da ordem dos eventos não indica eu fazendo algo errado. Meu divórcio de minha primeira esposa era "teocrático" ( usando o neologismo das Testemunhas), já que ela tinha admitido a infidelidade. 

Não obstante, minha nova esposa foi desassociada por se casar comigo. 

Completamente confuso, decidi me afastar da organização. Porém, depois de quatro meses, reconsiderei e comecei a comparecer as reuniões em minha nova localidade. Porém, em acordo com a política da Sociedade, precisava de um "ok" da congregação que havia me desassociado. Os anciões naquela congregação não me concederiam esse privilégio. 


Vindicação 

Eventualmente, eu fui restabelecido. Um dos anciões em minha congregação atual, estava evidentemente solidário com o "caso" contra mim. Eu creio que ele convenceu os anciãos que me desassociaram e finalmente cederam. 

Então, eu estava desassociado por dois anos, contudo até esse dia, ninguém me disse do porque eu fui desassociado. 

A atitude dos anciãos que me desassociaram, foi para mim, estranha. Eu estava desistindo de querer achar alguma atitude cristã naquele pessoal. 


O espírito procurando 

Logo após meu restabelecimento, eu mudei para uma nova congregação. Mais uma vez, fiquei gravemente desapontado com algumas pessoas em nossa congregação. Eu estava transtornado por suas brigas insignificantes, a falta de amor e um espírito de animosidade que infestou a congregação. 

Continuando minha indagação por uma congregação motivada pelo amor, me mudei para a mesma congregação de meus pais. Uma vez que era "mais dos mesmos". Nessa época eu estava beirando os 30 anos e já tinha viajado para cá e para lá, mas as congregações me pareciam muito distantes dos ensinamentos da bíblia. 


O espírito interrogativo 

Eu não pude colaborar, mas poderia questionar alguns dos ensinos dentro da organização. Como qualquer Testemunha praticante que lê este artigo pode supor, minhas perguntas não foram encaradas como uma "investigação honesta". me disseram que me mantivesse quieto. Na realidade, me responderam varias vezes que se eu continuasse com essas perguntas, seria novamente desassociado. Eu não queria que isso acontecesse novamente, assim eu mantive minha boca fechada. Mas as dúvidas continuaram me importunando. 

À procura de um emprego melhor, eu me mudei para uma cidade próxima e me juntei a uma nova congregação. Isto foi a pior coisa que eu poderia encontrar. O estilo do ancião presidente era excepcionalmente autoritário. Muitos publicadores reclamaram que havia muito pouco amor ou interesse no publicador comum. Quando eu mencionei estas preocupações a meu pai, ele disse que também já tinha visto esses problemas, muitos não gostavam dele, mas ele batizou isto de "a imperfeição de homens". Eu não estava satisfeito com aquela explicação. Eu sentia que os problemas eram mais profundos 


Os tempos difíceis se tornam mais ainda difíceis 

A despeito de minhas numerosas preocupações espirituais, eu ainda tinha que colocar o pão na mesa. Eu entrei em um projeto empresarial junto com um inventor. Infelizmente, o projeto falhou; perto de um milhão de dólares estavam perdidos. A razão primária para o fracasso foi a decepção por parte do inventor. 

Acrescentado a todo o outro trauma, este episódio me fez sentir que minha vida estava acabada. Minha situação espiritual e financeira estavam em desordem completa. No dia 27 de junho de 1995, eu tentei acabar com minha própria vida. 

Eu estava sofrendo um completo desarranjo emocional e mental. Eu entrei em uma depressão profunda, tornando quase impossível avaliar os problemas financeiros. Eu sentia que era uma pessoa horrível, um fracasso total. 

Acrescentando à dor: algumas testemunhas tinham investido dinheiro na aventura. Quando tudo veio, batendo porta abaixo, eu fui apontado como o bode expiatório. Um ancião disse que eu deveria ser acusado de fraude. 

Por causa de minha condição, eu fui colocado aos cuidados de uma instituição mental durante três semanas. Me deram muitos antidepressivos, mas quando me enviaram de volta para casa, eu ainda estava me sentindo muito deprimido. 

Apesar de minha angústia, os anciões teimaram em me confrontar com as acusações de fraude. Um ancião me assegurou que não havia nenhuma causa para preocupação, enquanto dizendo que era óbvio que o fracasso não era minha culpa. Infelizmente, eu sofri um desarranjo emocional durante a primeira sessão, assim não era possível continuar. 

Um dos anciãos do comitê falou reservadamente com minha esposa, enquanto lhe dizendo que eu seria tratado com bondade e apoio emocional que precisava. 

A próxima reunião não foi no Salão do Reino, mas no apartamento do ancião. Quando se transformou em um interrogatório, eu explodi emocionalmente e não pude recuperar minha compostura. A investigação foi adiada uma vez mais. 

Eu notei que o redemoinho de rumores na congregação tinham sido extensos. Eu fui tratado como uma pessoa desassociada. Quando perguntei sobre isso, nenhum ancião teve alguma explicação. 

Meu pai (um ancião em uma congregação diferente) se preocupou com minha saúde mental. Ele telefonou para alguém no comitê de investigação. Aparentemente, lhe foi dito que não havia bastante informação, assim ajudaria, se eu escrevesse um relatório. 

Eu escrevi o relatório, mas desde que se tratava de complicados e profundos assuntos empresariais, era difícil de esclarecer para aqueles que não tinham nenhuma experiência pertinente. Infelizmente, ninguém do comitê investigador tinha o conhecimento para seguir os detalhes do relatório. Também foi infeliz eu não ter uma outra "corte de apelação". 


Um assalto misterioso 

Logo após a segunda reunião de comitê, eu fui assaltado brutalmente por dois homens mascarados. Eu fui encontrado por meu filho de 17 anos e conduzido ao hospital. Eles determinaram que eu tive um trauma, junto com danos em meus braços (o qual eu tinha usado em um esforço para proteger minha cabeça). 

A polícia achou que o ataque tinha sido planejado por um homem que tinha investido $5000 em uma companhia à qual eu era o presidente, mas eles não puderam provar. Agora, aquele investidor particular, que tinha assinado um documento reconhecendo que o dinheiro dele estaria em risco até que a companhia se estabelecesse, queria voltar atrás e ter seu dinheiro de volta, não importando como. 

Eu resignei da companhia após receber telefonemas ameaçadores e uma carta que advertia "isto é prejudicial à sua saúde, bem como de outras - dinheiro." 

No dia seguinte a agressão, minha esposa telefonou para um dos anciãos para lhe contar o que tinha acontecido. Nenhum ancião veio me ver durante o mês em que eu estava me recuperando, nem eles chamaram minha esposa para descobrir se eu estava certo. Esta agressão teve um profundo e perturbador efeito em minha filha de 7 anos, mas ninguém parecia se preocupar. Isto contribuiu mais ainda para minha depressão. 

Para piorar as coisas, um dos irmãos em minha congregação sugeriu à polícia que eu havia pago pessoalmente os atacantes pela surra. Parece que a polícia acreditou na história dele. 


Um raio de esperança 

Minha esposa estava administrando as coisas da melhor maneira que podia, entretanto, não estávamos recebendo ajuda da congregação. Ela sugeriu que ajudaria nos mudar para outra congregação. Adequadamente, ela telefonou e falou com o ancião presidente da outra congregação, enquanto explicando o caso inteiro (inclusive os rumores). Ele disse que poderíamos nos mudar para a congregação deles e que poderíamos obter a ajuda necessária. Eu deixei minha esposa tomar a decisão, porque estava sem nenhuma condição (mental ou emocional) para "conduzir a casa." 

Quando nos mudamos, fomos calorosamente recebidos, nos sentimos encorajados. 


A procura de uma posição responsável 

Quando um ancião local perguntou para minha esposa pela decisão dela de mudar-se, ele concluiu, "Bem, parece que está fazendo isto pelas razões certas." Infelizmente, os irmãos decidiram que, apesar de minha condição emocional e física (incluindo dores de cabeça contínuas devido ao trauma), eles deveriam continuar com o comitê investigativo. Outra reunião foi marcada. 

Minha esposa conseguiu que nosso médico familiar escrevesse uma carta que descrevia meu estado mental e emocional. Ele enfatizou que, determinado minha condição atual, eu precisava ser tratado com cuidados extras e compaixão. A investigação procedeu indiferentemente. 

Eu implorei aos investigadores pela ajuda deles. Eu lhes falei sobre minha confusão e desorientação. Eu disse que eu precisava saber qual era a coisa certa a fazer. Eu lhes implorei que me ajudassem a ordenar as coisas. 

Passou aproximadamente uma hora, enquanto eles pesaram os particulares de meu caso. Quando voltei, fui informado que eu estava desassociado. Um das razões deles, era que achavam que eu era uma pessoa gananciosa, porque tinha ido para outra congregação. 

Eu não compreendi o que tinha acontecido. Mais uma vez, considerei tirar minha própria vida, salvar o mundo do mal que (aparentemente) eu representava. 

Quando eu falei para minha esposa desta decisão, ela ficou muito distraída. Ela telefonou para o servo de circuito explicando sobre minha saúde mental e minha desorientação. O servo de circuito lhe disse que não era assunto dele e que não poderia fazer nada. 

Minha esposa chamou meu pai que sugeriu que eu fizesse uma apelação. Um comitê de apelação foi constituído e começou toda a história outra vez. 


Uma apelação inapelável 

O comitê de apelação ouviu a versão de duas testemunhas. Não me permitiram confrontar meus acusadores, e não soube quem eram. Eu não posso imaginar o que eles poderiam ter contribuído, desde que não tiveram nenhuma informação direta sobre minha situação. Aparentemente, entretanto, eles tiveram um efeito profundo no comitê. 

Um deles pareceu ser um ancião muito proeminente, como também sendo o que eu pensava ser meu melhor amigo. O que ele poderia ter dito? 

Quando a comissão de apelação me chamou, eles quiseram ver o relatório escrito que eu tinha feito. Infelizmente, o comitê prévio tinha o perdido de alguma maneira. Eu fui questionado sobre as mesmas perguntas que o primeiro comitê havia feito. Uma vez mais, eu disse que estava lá para ajudar. 

Eles disseram que um irmão jamais seria desassociado apenas por se mudar para outra congregação. O primeiro comitê negou terem dito isso. Eu não pude provar que eles estavam mentindo, porque não havia nenhuma documentação escrita. Assim eu tive vários irmãos que apareceram em minha defesa. Eles disseram para o comitê que eles nunca haviam conhecido uma pessoa tão generosa e amável como eu, e nunca me consideraram uma pessoa gananciosa. 

Eu estava confiante que o comitê veria que o primeiro comitê tinha cometido um erro sério, mas para minha surpresa, eles apoiaram a primeira decisão. 

Minha esposa tentou explicar a eles que minha condição emocional era frágil e que eu estava em sérias dificuldades emocionais. Eles não se sensibilizaram com o pedido dela. 


Empurrado para o fundo  

Eu estava totalmente confuso e sofri outro desarranjo emocional. Eu saí do Salão, chorando e achando que não merecia mais viver. Precisou de quatro anciãos para me levantar do chão, enquanto eu chamava a mim mesmo de inútil. 

Um ancião chamou uma ambulância. A polícia também apareceu, então o ancião mais velho falou alguma coisa para eles, no lado de fora. Eu não sei o que ele disse, mas a polícia entrou para me prender sob insanidade mental. Eu viajei para o hospital no carro da policia" ao invés da ambulância. 

Depois de três dias, eu não pude usar o relógio porque meus pulsos estavam muito inchados e doloridos (a polícia tinha sido bastante áspera). levou dois dias até que eu pudesse erguer meus braços novamente. 

Bastante interessante, enquanto a polícia estava me revirando, e eu estava gritando em dor, todos os cinco anciãos simplesmente estavam lá, parados. Teria sido tanto mais fácil se um deles tivesse mostrado uma pouco de compaixão e algum um esforço para me tranqüilizar. Talvez estivessem afetados pela crença que a loucura é contagiosa. Talvez apenas não se preocuparam. 

Qualquer que sejam as razões, eu continuo querendo saber por que eles permitiram que esta briga acontecesse bem em frente de um Salão do Reino, com vista para a vizinhança. Não deve ter sido um "bom testemunho". 

Minha esposa escreveu umas 12 cartas à Sociedade pedindo outra apelação. Eles não fizeram nenhum comentário em particular; eles apoiaram a decisão do primeiro comitê simplesmente. Dentro de alguns meses, eu estava de volta ao hospital por depressão. O doutor temeu por minha vida e achou que seria melhor para todos os interessados que eu fosse mantido em um lugar onde pudesse ser assistido e tratado. 


De mal a pior para melhor 

Devido aos muitos problemas, nós não pudemos dispor de dinheiro para pagar o aluguel. Eu não pude trabalhar, e a companhia de seguros recusou a pagar em minha política de inaptidão. Eu entretive constantemente a idéia de suicídio. 

Minha esposa encorajou que eu voltasse às reuniões. Embora eu eventualmente concordasse com ela, meu coração não estava nisto. Eu já não acreditava mais que esta organização tivesse a aprovação de Deus. 

Minhas dúvidas continuaram crescendo. Então um dia, algo aconteceu que me colocou na estrada da recuperação. 

Eu estava falando com um velho conhecido da Califórnia. Ele sugeriu que eu lesse o livro "Crise de Consciência". escrito por Ray Franz, um ex-membro do corpo governante, que havia sofrido do mesmo tipo de tratamento pelo "Justiça da Sociedade". Eu obtive uma cópia e li, de ponta a ponta. Então tudo se esclareceu. Eu estava livre. 


20-20 compreensão tardia 

Durante 25 anos eu tinha sido importunado continuamente pelas dúvidas. Eu as empurrei aparte, enquanto achando que se eu pudesse ser uma Testemunha melhor, os problemas iriam embora. 

O resultado final, foi que perdi meus meios de vida, e sofri de profunda depressão. Eu fui cortado de todo o apoio, inclusive da congregação. Eu fui abandonado por minha família (embora os anciãos lhes disseram que eles poderiam se associar comigo, porque meu real problema era a depressão, não um assunto doutrinal). 

Eu fui traído por amigos que não conheceram a verdade da situação e nunca tentaram descobrir os fatos. Minha filha primogênita, de meu primeiro matrimônio, virou completamente as costas para mim. Ela convenceu meu filho de 16 anos a sair de casa. . (Meus pais, irmãos, irmãs e certos anciãos também tiveram uma contribuição na saída dele de casa.) 

Sem surpresa, isto me deixou amargo e ressentido. Felizmente, eu vim a entender que eu não poderia recuperar minha saúde mental, focalizando as coisas negativamente. 

MEDITAÇÕES 

Coisas que vi e senti 

Me parece, que se você tem dinheiro, e faz grandes doações à Sociedade, você é tratado diferentemente que as demais pessoas (Compare com Marcos 12:41-44). eu estou seguro que a maioria das religiões são assim, mas eu esperava achar este tipo de preconceito, completamente ausente na Sociedade. Não obstante, eu vi vários exemplos onde o erro foi negligenciado no caso de pessoas que haviam doado grandes somas de dinheiro a organização. 

Eu também vi vários casos onde houve equívocos de julgamento visando a desassociação. Os enganos nunca foram admitidos; varias pessoas tiveram a honra maculada porque a organização não pôde fazer uma simples retratação. A Sociedade parece freqüentemente mais interessada em parecer perfeita do que a buscar a perfeição. 

Me entristece, e muito, ver o dano emocional que foi infligido em tantos, tudo porque a Sociedade não admite enganos. Eles brandem o poder para destruir vidas, mas com que freqüência brandem eles o poder para corrigir uma decisão injusta? 

Eu acreditei por muito tempo que a Sociedade Torre de Vigia era um dos grandes presentes de Deus ao gênero humano. Mas eventualmente minha fé na organização foi quebrada. Aonde eu errei? Eu penso que meu engano foi ter fé em uma organização, em vez de ter fé em Deus. Não importa o quão firmemente alguém possa acreditar que eles são o canal escolhido de Deus, não é a convicção pessoal, que é o fator decisivo. (Compare com Mateus 7:22-23). 

A Bíblia diz que você conheceria os verdadeiros adoradores pelo amor entre si. Eu não vi muito deste amor entre as Testemunhas de Jeová. O poucos eu me encontrei que tinham este amor, eram freqüentemente frustrados, tanto quanto eu. Eles podem ter tido dúvidas, mas por causa da política da organização, não ousaram falar. Pensamento independente é punido com a expulsão. 

É difícil as pessoas fazerem o que pensam ser "a coisa certa" quando pode resultar em ser cortados da associação dos amigos e família. A política de expulsão da Sociedade é um meio altamente efetivo para manter o controle e o consenso. 


Avançando 

Embora minha fé na Sociedade esteja quebrada, eu continuo acreditando em Deus e Jesus. A fé na bondade que eles representam me puxaram das profundidades da depressão. Hoje, tenho uma melhor compreensão sobre a liberdade cristã. (Compare com João 8:31-32). 

Eu gostaria de agradecer a todos esses na internet que estão ajudando outros a colocar a Sociedade Torre de Vigia em sua real perspectiva. Muitas destas pessoas são ex-testemunhas que enxergam que o sofrimento de muitas pessoas não é devido a alguma "maldade" inerente nelas, mas devido a política da Sociedade. Eles trabalham incansavelmente para ajudar esses que continuam se curvando a Sociedade, enquanto nunca compreendendo porque se magoam tanto assim. 

Para as Testemunhas de Jeová que leram este relato, peço que olhem em seus corações. Se você tem duvidas, não fuja delas. Pergunte-se do porque você segue as ordens da Sociedade Torre de Vigia. 

Se você tiver que escolher entre sua consciência e as regras da Sociedade, qual você escolherá? 

Meu amor cristão e cumprimentos para todos,

O autor 

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