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As provas para a existência de Deus são muitas e convergentes

Papa João Paulo II
Tradução: Emerson de Oliveira 

Audiência dada em 10 de julho de 1985. Esse artigo papal sobre a existência de Deus é o segundo de uma série baseada no Salmo 18/19:2-5.

1. Quando nos perguntamos: "Por que cremos em Deus"? a primeira resposta é dada por nossa fé: Deus se revelou a humanidade e entrou em contato com ela. A suprema revelação divina veio através de Jesus Cristo, Deus encarnado. Nós cremos em Deus porque Deus se fez conhecido a nós como o Ser Supremo, o "Auto-Existente".

No entanto, esta fé em Deus que revela a si mesma, também encontra suporte na razão de nossa inteligência. Ao refletirmos, vemos que não faltam provas para a existência de Deus. Estas tem sido elaboradas por pensadores que as colocaram em forma de demonstrações filosóficas com rígidas deduções lógicas. Mas eles também podem ter uma forma mais simples e por isso serem acessíveis a todos os que buscam entender o real significado do mundo.  .

Provas científicas

2. Ao falar da existência de Deus devemos salientar que não estamos falando de provas no sentido entendido pelas ciências experimentais. As provas científicas no sentido lato da palavra só são válidas para coisas observáveis aos sentidos, sendo portanto, passíveis de serem pesquisadas pelos laboratórios. Desejar uma prova científica de Deus seria o equivalente a transformarmos Deus no nível das criaturas deste mundo, e por isso, nos equivocaríamos metodologicamente  a respeito do que Deus é. A ciência deve reconhecer seus limites e sua impossibilidade de alcançar a existência de Deus: nem pode afirmar nem pode negar sua existência.

Disto, no entanto, nós podemos concluir que os cientistas em suas pesquisas são incapazes de encontrar razões válidas para admitir a existência de Deus. Se a ciência como tal não pode achar Deus, o cientista inteligente não se limita somente às coisas observáveis, mas pode concluir que há algo que transcende a matéria. Muitos cientistas pensam assim e fizeram esse descobrimento..

Quem reflete com mente aberta no que é implícito na existência do Universo, pode não ajudar mas pode propor uma questão do problema da origem. Instintivamente, ao darmos testemunho de certos fatos, perguntamos o que o causou. Podemos fazer a mesma pergunta com respeito aos fenômenos que acontecem no mundo?

Uma Causa suprema

3. Uma hipótese científica como a expansão do Universo, torna o problema mais claro. Se o Universo está em expansão constante, deve ter havido um "momento inicial", em que esta expansão começou? Mas segundo a teoria adotada por alguns essa pergunta não tem resposta. Este Universo em movimento constante postula uma Causa que, inicialmente, tem começado este movimento. Sem tal causa Suprema, o mundo e cada movimento permaneceria "inexplicado" e "inexplicável" e nossa inteligência ficaria sem respostas. A mente humana só pode receber uma resposta a suas perguntas admitindo a existência de um Ser que criou o mundo com todo o seu dinamismo e é quem o continua mantendo em existência.

4. A necessidade de voltarmos a uma Causa suprema fica mais evidente se vermos as provas incessantes que a ciência descobre sobre a estrutura da matéria. Quando a inteligência humana observa a constituição e estruturas das partículas elementares, não percebe ali uma Inteligência que a concebeu? Ao ver a imensa maravilha que existe na pequenez do átomo e na imensidão do cosmos, a mente humana sente que todo esse trabalho de qualidade foi feito por um Criador cuja sabedoria está mais além do que todas as medidas e que seu poder é infinito.

Impressionante Final

5. Todas as observações acerca do desenvolvimento da vida leva a uma conclusão parecida. A evolução dos seres vivos, que a ciência procura descobrir os elos e estudar o mecanismo, revela uma finalidade superior que desperta admiração. Esta finalidade que dirige os seres em sua trajetória de existência revela a Mente de Um Criador.

A história da humanidade e da vida de cada ser humano tem uma finalidade mais profunda. Logicamente, o homem  não pode explicar a ele o significado de tudo, portanto, o homem não é o senhor de seu prórpio destino. Não só não o fez mas também não tem o poder de dominar sua existência. No entanto, ele sabe que tem um destino e tenta descobrir quem o escreveu e como isso está escrito dentro dele. Em certos momentos ele pode discernir uma finalidade oculta que aparece de uma convergência de circunstâncias e eventos mais facilmente. Assim ele descobre que um Criador o tem feito e dirigido em existência.

6. Entre as qualidades deste mundo que nos impele a buscar respostas, há finalmente, beleza. Ela se manifesta nas maravilhas da natureza; se expressa nas obras de arte inumeráveis, literatura, música, pintura e artes plásticas. Também se evidencia pela conduta moral: há tantos bons sentimentos, tantos feitos fantásticos.

O homem fica consciente ou "recebe" toda esta beleza, sempre que ele coopera por sua ação ou manifestção. Ele descobre e a entende totalmente quando reconhece sua fonte, a beleza transcendente de Deus.

A fé estimula

7. Para todas estas "indicações" da existência de Deus, alguns poderiam opor o poder da chance ou de propor os mecanismos da matéria. Falar de um Universo que apresenta semelhante constituição complexa em seus elementos e semelhante finalidade seria o equivalente a deixar a busca de uma explicação do mundo quando aparece a nós. De fato, isso seria o mesmo a admitir efeitos sem uma causa. Seria uma negação da inteligência humana que rejeitasse pensar assim, para buscar uma solução para seus problemas.

Concluindo, uma olhada das indicações que o Universo nos mostra impele o homem a ver que há um Criador. As provas para a existência de Deus são muitas e convergentes. Eles contribuem para mostrar que a fé não humilha a inteligência humana, mas a estimula nas reflexões e permitem entender os "porquês"  propostos pela observação de uma realidade melhor.

 

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